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Falar em paz é falar sobre o direito de viver com segurança, manter vínculos e construir o futuro sem medo. Esse direito se torna ainda mais urgente quando olhamos para crianças e adolescentes afetados por guerras, perseguições e deslocamentos forçados.

Em conflitos internacionais, eles estão entre as pessoas mais sensíveis às rupturas provocadas pela violência. Podem ser afastados da escola, da comunidade e, em alguns casos, do próprio país. Mesmo longe das zonas de conflito, crianças refugiadas precisam reconstruir rotinas, aprender novos idiomas e encontrar acolhimento em lugares ainda desconhecidos.

O Dia Internacional da Paz, celebrado em 21 de setembro, amplia essa reflexão. A paz mundial depende de decisões políticas e diplomáticas, mas também exige educação, solidariedade e respeito à dignidade humana.

A UNESCO e a construção da paz

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, foi criada após duas guerras mundiais. Sua origem parte da compreensão de que acordos entre governos são indispensáveis, mas não bastam para sustentar a paz.

Para a organização, a convivência pacífica também precisa ser construída por meio da educação, da cultura, da ciência, do acesso ao conhecimento e da compreensão entre os povos. Esses caminhos ajudam a enfrentar preconceitos, discursos de ódio e ideias que tratam determinados grupos como menos dignos de respeito.

A UNESCO transformou essa visão em uma referência internacional para a educação para a paz e os direitos humanos. A proposta é preparar pessoas para conviver com diferenças, reconhecer injustiças e resolver conflitos por meio do diálogo. UNESCO: visão para a paz

Paz, nesse sentido, não significa apenas ausência de guerra. Significa criar sociedades nas quais direitos sejam respeitados, diferenças não produzam violência e todas as pessoas possam participar da vida coletiva.

Crianças não podem perder o futuro

Quando um conflito interrompe a educação, seu impacto continua mesmo depois que os confrontos diminuem. A escola oferece aprendizagem, mas também representa rotina, proteção, convivência e contato com adultos capazes de orientar e acolher.

Por isso, a UNESCO considera a educação uma linha de proteção em situações de emergência. A organização atua para preservar o acesso ao ensino e apoiar estudantes afetados por conflitos e deslocamentos, com atenção a refugiados, crianças e jovens que enfrentam riscos maiores. UNESCO: educação em emergências

Para quem precisa deixar o próprio país, voltar a estudar pode ser um dos primeiros passos para reconstruir a vida. O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, destaca que a educação oferece um ambiente mais estável e ajuda crianças e jovens refugiados a recuperar perspectivas de futuro. ACNUR: educação para refugiados

Acolher uma criança refugiada também exige cuidado com sua história. Ela não deve ser definida apenas pela guerra ou pelo deslocamento que viveu. Antes de tudo, é uma criança com interesses, capacidades, vínculos e o direito de aprender sem discriminação.

A paz mundial também se fortalece perto de nós

A distância geográfica não elimina nossa responsabilidade diante dos conflitos. Comunidades, escolas e organizações sociais podem contribuir ao promover informação responsável, respeito à diversidade e acolhimento de pessoas que chegam de outros lugares.

Atividades educativas sobre direitos humanos, diferentes culturas e cidadania ajudam crianças e adolescentes a compreender que a paz envolve escolhas coletivas. Também ensinam a reconhecer preconceitos e a não reproduzir hostilidade contra povos, nacionalidades ou religiões.

Nesse processo, jovens podem expressar suas próprias ideias sobre o mundo que desejam construir. A arte, a leitura, o diálogo e a participação comunitária criam oportunidades para transformar preocupação em consciência e solidariedade.

Ao apoiar organizações dedicadas à educação, à cidadania e aos direitos humanos, o Instituto Afonso França participa desse compromisso a partir dos territórios. Proteger a infância, ampliar oportunidades e fortalecer vínculos são formas concretas de cultivar uma paz que começa perto, mas não perde de vista o mundo.

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