Sabe aquele vídeo que aparece no grupo da família e todo mundo sai compartilhando? Às vezes é uma notícia, uma dica milagrosa ou uma história que parece verdadeira demais. Agora imagine uma criança tentando descobrir sozinha se aquilo é real. Nem sempre é fácil, né? Até nós, adultos, caímos nessas de vez em quando.
E esse assunto está cada vez mais presente nas famílias brasileiras. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet, e 59% dos usuários dessa faixa etária já recorrem à inteligência artificial para estudar ou fazer pesquisas escolares1.
Com tanta informação circulando, uma coisa é certa: não basta saber mexer no celular. É preciso aprender a pensar sobre o que aparece nele.
Antes de dizer que é mentira, pergunte: onde você viu isso?
Seu filho chegou contando uma história absurda que viu na internet? Em vez de corrigir imediatamente, experimente perguntar onde ele encontrou aquela informação.
Vocês podem procurar juntos quem publicou o conteúdo, conferir se outros sites falam sobre o assunto e até comparar as respostas de uma inteligência artificial com fontes confiáveis.
Parece simples, mas esse exercício ajuda a desenvolver algo muito importante: a capacidade de questionar. Aos poucos, a criança entende que nem tudo que aparece na tela é verdade, mesmo quando parece convincente.
E se alguém pedir uma foto ou o nome da escola?
Uma foto com uniforme, a localização da casa ou uma conversa com alguém desconhecido. São situações que podem parecer inofensivas, mas merecem atenção.
Converse com seu filho sobre o que ele compartilha na internet. Explique por que algumas informações devem ficar em família e combine o que fazer se alguém pedir dados pessoais ou enviar mensagens desconfortáveis.
E tem um detalhe importante: ele precisa saber que pode contar com você, mesmo quando cometer algum erro online. O medo de levar uma bronca não pode ser maior do que a confiança de pedir ajuda.
Você sabe o que seu filho gosta de assistir?
Que tal perguntar quais canais ele acompanha ou pedir para mostrar aquele jogo de que tanto gosta?
Demonstrar curiosidade pelo universo digital das crianças é uma maneira de se aproximar delas. Não precisa conhecer todos os aplicativos nem entender cada novidade. Às vezes, uma conversa durante o jantar já abre espaço para assuntos que dificilmente surgiriam em uma bronca sobre o tempo de tela.

E essa educação não acontece só em casa. Escolas e projetos socioeducativos também podem ajudar crianças e adolescentes a pesquisar, criar, reconhecer riscos e desenvolver autonomia.
Esse olhar para a formação de crianças e adolescentes também faz parte da atuação do Instituto Afonso França, que apoia organizações sociais comprometidas com seu desenvolvimento.
Afinal, a internet já faz parte da vida deles. E aprender a lidar com ela pode começar com algo tão simples quanto sentar ao lado e perguntar: “Me mostra o que você está vendo?”